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Que
tipo de professor é você?
Sem fazer muito
esforço, porque saltam aos olhos, espalhados por todo canto, difundindo a
socialização do silêncio, há uma infinidade de professores de todos os tipos: professor-intelectual, professor-humorista,
professor-orador e, felizmente, professor-educador.
O professor-intelectual é aquele que sabe
tudo, fala dificílimo, faz citações em latim, grego, hebraico, para
impressionar. Impressiona tanto que na primeira aula, o aluno se encolhe e se
anula. Tem medo de fazer qualquer pergunta e ser atingido por um raio de
sabedoria. Há casos em que esse professor já vai logo avisando que, hoje em dia
ninguém sabe nada, escola boa era a dele, a de antigamente. Conta muitas
vantagens do seu tempo, quando o ensino era pra valer. Quem não soubesse o
Atlas de cor e salteado não passava para a série seguinte.
O professor-humorista chega a ser
interessante. É muito engraçado, falante, põe apelido nos alunos, conta piadas
durante as aulas e, às vezes, o apelido pega e vira um sério problema. A mania
de ridicularizar a quem erra nas argüições e incentivar a turma a rir das
fraquezas dos outros gera comportamentos que se chocam com os ideais da
educação. É um semeador na seara de complexos.
O professor-orador fala sozinho, tem
horror de ser interrompido. Vive muito irritado, não suporta perguntas. Chega
faz seu discurso e vai embora. A sua aula é um ótimo remédio para dormir. Quem
não entendeu que se vire. Todo fracasso é atribuído à falta de base do aluno no
ano anterior.
O professor-educador respeita as
diferenças individuais, prepara as aulas, demonstra claramente que gosta de sua
profissão, deixa os alunos em situação descontraída. É conselheiro, é amigo, é
humilde, entende quando precisa mudar as estratégias.
Turmas grandes?
Muitas horas de trabalho? Salário pequeno? Qual seria a melhor desculpa para
tantos fracassos da escola?
É tempo de
mudar. Mudar tudo, se necessário. É tempo de rever cada passo no caminho
atropelado da educação.
A postura do
professor, muitas vezes afetada pelo sistema e contaminada por tendências
políticas, tem sido distorcida. Embora a certeza de que os fins da educação
visem à auto-realização, praticamente tem sido o inverso: tanto o professor
como o aluno são manipulados por leis sociais.
Vive-se sob o
impacto da explosão de informações e corre-se o risco de esvaziar-se a proposta
da escola, todavia, o educador não está preocupado em digerir a massa compacta
de tudo o que vê e ouve. Ele orienta os indivíduos na seletividade de notícias
para a compreensão da realidade.
O educador
acompanha o caminho percorrido pela humanidade e, sem a pretensão de fazer
milagres, vai ajudando a esclarecer a dúvida. É humilde para entender a
limitação, jamais afirma que algo é imutável, entende a escola como
organizadora de conteúdos e informações recebidas.
O educador usa a
máquina, manipula a tecnologia, mas nunca se embrutece na resposta. Usa a
presença de sua magia, sem deixar-se envolver por idéias radicais. É crítico
constante do próprio trabalho.
Ivone Boechat
(extraído do livro Escola comunitária)